Análise: Violência gratuita (2007)

Violência Gratuita (2007)
Uma família em férias recebe a inesperada visita de dois jovens profundamente perturbados em sua casa de campo, aparentemente calma e tranquila. A partir de então suas férias de sonhos se transformam em pesadelo. ctd
Esse filme já estava na minha lista há muito tempo, lembro que me interessei em assistir quando soube que um dos personagens principais tinha um ar de Alex Delarge na atuação. Ao ler algumas análises sobre, descobri que o próprio diretor é um grande amante de Laranja Mecânica. Mais um motivo fantástico para admirá-lo. Existem duas versões, a original de 1997 e o remake produzido em 2007, os dois foram dirigidos pelo Haneke. Decidi assistir a versão mais nova, já que segundo alguns comentários, as duas versões são idênticas no roteiro, apenas os atores e as locações que foram atualizadas.


Ousaria em descrever esse filme em apenas uma palavra: angustiante. Haneke utilizou de diversos recursos para causar a estranheza e o desconforto no telespectador, como o ambiente pesado, a falta de trilha sonora e as cenas carregadas. Logo no incio temos um contraste de música clássica e heavy metal, uma preparação para as longas 2 horas a seguir. Algumas cenas chocantes, como a perseguição de um personagem, são extremamente longas e sem corte. A falta de uma trilha sonora causa um desconforto imenso, o que é logo cortado pelo heavy metal jogado no meio da cena. Os personagens principais, além da família, são o Paul e Peter. Para ser sincera, o Peter me lembrou o Tosko de Laranja Mecânica, ele é do tipo atrapalhado e medroso, completamente diferente do Paul, inspirado em Alex Delarge.

O título em português, violência gratuita, se dá pelo fato dos dois garotos não terem motivos aparente para cometer tal atrocidade com a família. Em uma cena, eles ironizam esse fato quando perguntados sobre o motivo de estarem ali. Já o título original, Funny Games, tem dois sentidos para mim. O primeiro: Paul tem a mania de relacionar sua violência como alguns jogos "divertidos" com a família. O segundo: com toda certeza, criar esse filme foi algo divertido para Haneke. Enquanto me via naquela situação angustiante, torcendo pela família já perdida, imaginava o diretor sentado em uma cadeira de couro, rindo de toda aquela situação com um charuto entre os dedos. Parece que tudo aquilo foi criado para nos atingir de alguma forma, para que aquele desconforto dure mais que apenas as duas horas.


Aliás, o irônico tema do filme é a violência. Todas as cenas de violência ficam subjetivas a nós, não presenciamos nenhum dos atos cometidos pelos dois garotos. Creio que o objetivo da obra em si, seja mostrar a banalização desses atos. Nós somos dependentes da violência, mesmo que seja difícil aceitar, ficamos angustiados ao assistir alguma cena gore, ainda mais quando essas cenas não são jogadas na nossa cara. As cenas em que algo realmente acontece, é possível ouvir apenas os gritos e o som, enquanto um dos personagens prepara um sanduíche na cozinha. Novamente, todos os recursos utilizados, tanto a fotografia, o roteiro, as cores e a própria direção em geral, foram especialmente preparados para causar a estranheza e o desconforto.  O clima pesado invade sua mente conforme os segundos avançam, e tudo que você deseja é que aquilo acabe de uma vez.
Falando em ironizar fatos que insistimos negar, não é estranho que as pessoas torçam pelos vilões. Personagens amados na tela, geralmente são responsáveis por situações das quais ferem outras pessoas. Bom, temos eu como exemplo; perdidamente apaixonada por um personagem aparentemente sociopata que bate em mendigos na madrugada, e a minha estranha admiração por outro personagem, que apesar de ser extremamente elegante e dono de uma geniosidade invejável, usa dessas virtudes para o mal. Então, utilizando desse fato, Haneke faz com que em diversos momentos você se sinta confuso, não sabendo ao certo em quem confiar ou em quem torcer.

Creio que arte deva nos passar alguma mensagem, provocar novas sensações mesmo que essas não sejam algo prazeroso. Violência Gratuita atingiu seu objetivo da forma mais bela que eu poderia ter visto, Haneke produziu um ótimo trabalho e pode concluir sua obra perfeitamente, dando um final realístico para toda aquela onda de violência.


Bom, desculpem-me pela análise meio porca e escrita as pressas. Infelizmente ando numa onda de bloqueio e não consigo produzir nada que preste. Não tive tempo para revisar, então caso tenha algum erro na postagem, imploro para que me avisem o quanto antes. Obrigada pelos comentários do post anterior, fico muito feliz com todo o apoio que venho recebendo de vocês.