30 letters: A pessoa que você mais sente falta


Oi, M.,
Eu vou entender caso você negue essa carta. Entenderei caso você a rasgue apenas por ler meu nome no verso. Entenderei também se sentir vontade de queimá-la, e caso seja isso, apoiarei sua decisão. Só peço que se ainda exista, mesmo que apenas um pouco, de afeição por mim, leia até o final.
Considero desculpas como algo vago, nunca acreditei nelas e você me mostrou (muitas vezes) que também não. Já apresentei elas diversas vezes a você, em várias situações das quais nem eu mesma teria me perdoado. Então, não ousarei em usá-las novamente, apenas quero que entenda o quão envergonhada estou pelos meus atos. Eu tive a chance de mudar durante esses anos, prometi descaradamente que eu melhoraria e pararia de machucar você. Prometi me redimir por todos meus erros e isso nunca se concretizou, talvez pelo meu egoísmo surreal ou simplesmente por você sempre passar a mão na minha cabeça, o que fez com que eu me acomodasse no seu colo e o desprezasse sempre que quisesse, pois sabia que eu sempre poderia voltar para os seus braços. Não me orgulho, eu reconheço todas as coisas horríveis que fiz enquanto nós estávamos juntas.
Eu sinto sua falta, todos os malditos dias da minha vida. Eu sinto falta de estar perto de você, sinto falta das nossas brincadeiras, falta de ouvir sua voz me xingando na live, falta do seu choro, falta do seu consolo e de simplesmente tudo que vem de você, meus lábios sussurram incansavelmente seu nome enquanto meu peito se afoga em saudades.
Decidi escrever um pouco tarde demais, admito. Você agora deve estar com aquela garota de que você me falou uma vez, uma que é tudo aquilo que eu deveria ter sido. Isso não dói mais como antes, fico extremamente feliz sabendo que finalmente você se livrou daquela depressão da qual eu causei. Finalmente jogou os remédios no lixo, ao invés de ingerir todos de uma vez. E agora pode ter amigos, sem se culpar e se machucar todas as vezes em que se sentia suja por conversar com alguém. Fico feliz por estar finalmente distante de todo o mal que te cercava, e que algum dia, tudo o que resta de mim em você desaparecerá completamente.

De sua antiga e péssima memória, Isabela.

24 de Agosto, 2016.


31 perguntas para quebrar um silêncio constrangedor

Queria agradecer a todos que comentaram no meu post anterior. Muito obrigada mesmo por todo carinho que venho recebendo, e principalmente pela preocupação que tiveram comigo em relação ao relato do meu sonho. Está tudo bem, eu tenho o costume de sonhar com coisas estranhas e na maioria das vezes elas são assustadoras, mas eu venho tentando transmitir o que sinto por meio da escrita, é como se eu descarregasse todo o peso que elas causam. O lado bom é que esses sonhos bizarros me incentivam a escrever, tenho diversas histórias em mente graça a eles. Novamente, muito obrigada por todo carinho de vocês.

Hoje eu estou um pouco mais feliz, recebi a correção da minha última redação e consegui tirar 900 pontos! Além disso, meu professor disse que a minha e as de mais duas amigas foram as melhores da sala. Apesar de ter perdido alguns pontos pelo meu parágrafo ter ficado mais extenso que o normal, é muito bom saber que sou capaz de tirar uma boa nota (pelo menos nessa área, já que em exatas e biológicas eu sou uma negação).

Texto: 02:20

Ando tendo constantes pesadelos de um lugar estranhamente familiar. Acordo de hora em hora suando frio e minhas mãos tremem, a estranha sensação de ter algo sob mim me apavora. É um sonho contínuo, não importa quantas vezes eu insista em acordar na tentativa de fugir, eu sempre me vejo novamente no mesmo lugar. Sequer consigo olhar-me no espelho durante a manhã, e desde então, a ideia de permanecer sozinha me desespera. Me sinto cada vez mais dependente das pessoas, como se alguém me deixasse sozinha por apenas um minuto que fosse, o mundo desabasse ao meu redor e o chão me engolisse e me transportasse para a imensidão negra.

Fragilizada e perdida, meus pés caminhavam incertos pela escuridão que me cercava, me escoro em superfícies sólidas, muitas vezes tão quentes que sinto bolhas se formando por toda extensão dos meus dedos. Eu grito mas é impossível soltar-me, por mais que doesse, meu corpo relutava em abandonar a única coisa que não me deixava imergir na escuridão e tornar-me parte dela. O breu negro me cega enquanto meus pés pisam em lugares incertos, cortantes, quentes e gosmentos. A sensação de já ter passado por esse lugar me invade, como se eu fizesse parte de tudo aquilo. Apagão.
Acordava novamente sentada em uma cadeira que rangia, em frente a diversos monitores antigos e sem som. Me via em uma sala de monitoramento antiga, iguais a que vemos em séries ou filmes, e em cada tela eu podia observar a vida de cada um que já esteve perto a mim. Eu podia vê-los sorrindo, brincando, conversando, fazendo qualquer merda que fosse sem mim. Silêncio. Vozes começavam a ecoar no fundo, vindo longe dos monitores. Eu tentava olhar sobre os ombros na intenção de descobrir de onde vinham, sem sucesso, meu corpo se entregava as luzes fracas que saíam das imagens projetadas nos monitores. As vozes se tornavam mais próximas, enquanto meu corpo relutava contra o transe momentâneo. Elas chegam mais próximas e se tornavam sussurros contra meus ouvidos, em cada lado, elas sussurravam coisas diferentes. Eles finalmente te esqueceram. Esqueceram. Você finalmente pode se juntar a mim. E ninguém se lembrara de quem você foi. Ninguém. Você se tornará parte da escuridão que te cerca, pelo resto da eternidade. Meu coração se desespera dentro do corpo adormecido, minha respiração falha e sinto que vou explodir. Imóvel, enquanto as vozes queimam meus tímpanos e se espalham pelo meu corpo, corroendo cada pedaço de vida que ainda restava nele. Sinto o sangue queimar em minhas veias. As imagens expostas nos monitores se viram contra mim, as pessoas sorriem enquanto meu corpo de desespera. Gargalhadas passam a ser audíveis, elas se mesclam ao sussurro. Imóvel, meu corpo se mantém na mesma posição enquanto minha alma se debate, em um grito de misericórdia escorre pelos meus olhos. Sinto algo áspero tocar minha nuca, um calafrio percorre por toda extensão do meu corpo, enquanto o membro gélido envolve meu pescoço. Apavorada. Gotas e mais gotas escorrem pelo meu rosto sem demonstrar qualquer reação. A mão desce até meu peito, ela sente meu coração pulsar desesperadamente sob minha pele. Dor infernal, ela crava as unhas em minha carne e a rasga. O sangue fervente escorre pelas suas mãos e posso vê-las se queimarem. Meu corpo dilacerado por suas mãos cai sobre o chão gosmento. Posso ver sua silhueta contra as luzes dos monitores, sua estatura baixa me aterroriza. Ela me olha ferozmente como se fosse me devorar a qualquer momento. Ela então se curva sobre meu corpo desfalecido e consciente ao chão, e meus olhos, até então acostumados com o breu que nos cerca, podem finalmente ver a criatura debruçada em mim. Em um último suspiro de dor, posso ver estampada em sua face aterrorizadora, um reflexo nítido de claro de mim mesma.
Se eu acreditasse em inferno, esse seria o meu.

E eu estou a minha espera.

Então, eu assisti Suicide Squad


Hoje eu combinei de ir ao cinema com alguns amigos assistir a estréia de Esquadrão Suicida, e apesar de admitir ser muito mais fangirl da Marvel (sou suspeita nas críticas, sim), eu até que tinha bastante expectativa com esse novo filme. Depois da derrota que foi Batman vs Superman, eu achei que a Warner tinha reconsiderado alguns pontos do filme, e ela realmente fez isso, mas de uma forma meio errada. Não sou crítica de cinema nem nada, muito menos me arrisco a dar nota nos filmes, mas como esse é um blog pessoal, quero registrar minha opinião.

Espero que todos vocês tenham uma noção do filme, não sou boa com sinopses. Enfim, o filme gira em torno de acontecimentos logo depois da morte do Superman em BvS (foi mal pelo spoiler) e o sumiço do Batman. Com a falta de um protetor da cidade, um membro do governo chamada Amanda Waller, decide reunir os piores vilões para resolver uma grande ameaça.