30 letters: Aquele que já amei (ex-amor)

Oi,

Não nos conhecemos da melhor forma, e por completa ironia, isso descreve  nossa relação após os anos. Foi em meio a uma tempestade e estávamos enfiados em uma festa infantil, cheia de garotos de 10 a 14 anos, competindo quem ficaria com o máximo de garotas em uma festa. Demorei quase dois anos para admitir que não passei de um número, e mesmo que hoje já se façam 4 anos e nós criamos uma intimidade considerável, as vezes ainda me pergunto se continuo sendo uma das 30 e poucas que você beijou aquela noite. E sim, eu finalmente sei a resposta. Na época, talvez por ser muito influenciável ou simplesmente tola, eu sequer pensei nessa possibilidade. A música, as pessoas e você, era tudo estranho, e nem mesmo a presença das minhas amigas tornaram essa experiência menos desconfortável. Até que aconteceu, e você sabe, foi da pior forma. A menta que antigamente costumava revirar meu estomago de ansiedade, hoje é a causa da ânsia que me invade nos intervalos dos nossos beijos.

Eu não sei o que tem em você, não sei que merda você exala que traz de volta a menina de 12 anos toda vez que sinto seu cheiro ou simplesmente recebo uma mensagem tua -e a maioria delas são carregadas de sarcasmo e frieza. Já se fazem 4 anos e estamos próximo do quinto, e até hoje me sinto acorrentada a você.

Três anos, finalmente pensei que havia te esquecido, sequer havia rastro de memórias tuas em mim. Não me recordava mais do seu cheiro nem da forma estúpida que você sorria. Não via mais seu rosto nas outras pessoas e nem me esforçava em virar o pescoço na esperança de te ver em algum lugar. Por que você resolveu voltar? Recebi tua mensagem minutos depois de ter terminado com outro garoto, e hoje em dia sinto que isso foi de propósito.
A dúvida de como minha vida teria sido se eu tivesse voltado com ele ao invés de ter passado a noite inteira te procurando latejava na minha cabeça, e sinto medo só de imaginar o quão boa ela teria sido sem você.

Eu queria não conseguir admitir, queria que minha cabeça voltasse a ser tão infantil ao ponto de te imaginar naquele conto de fadas de quatro anos atrás. Talvez aquele beco escuro não fosse tão ruim e assustador assim, talvez as palavras que saíram da sua boca não fossem tão secas e monótomas como um "Oi, vamos logo", e talvez, o melhor de tudo seria não ter que lidar com a sua cara de tédio a cada frase que eu dizia.

Sou orgulhosa demais pra admitir o quanto isso dói, até hoje, depois de 4 longos anos, ainda dói pensar em ti, pensar na merda do teu beijo que foi o melhor que já tive o prazer de experimentar.

Não te culpo por nunca ter sido recíproco, te culpo por simplesmente ser você, e mais ainda, me culpo por ter permitido que você entrasse dentro da minha cabeça e quebrasse tudo que eu construí durante esses anos.

É isso.

Isabela.

Apareci

Não vou ocupar o tempo de vocês com desculpas e toda essa baboseira. Eu realmente fiquei sem tempo e principalmente sem criatividade durante esse longo mês de setembro, desculpem esse ser preguiçoso que ficou várias semanas sem sequer sentir vontade de tocar o mouse ou ligar o computador. Bom, não tenho novidades. Aliás, tenho, mas nenhuma é boa o suficiente para prenderem vocês nessa postagem. Pra ser sincera, enquanto estou escrevendo isso aqui, caminho sem rumo pelas teclas do teclado, sem saber ao certo sobre o que dizer.
Como podem ter percebido, mudei o layout. Ele esta mil vezes mais simples que o anterior, isso só exalta a preguiça que ando tempo ultimamente. Fiz ele em um dia, apenas para tentar sentir empolgação para postar novamente. Novamente, como podem perceber, não resolveu muito. De qualquer forma, espero que tenham gostado desse clima mais neutro e cru do layout, prometo que um dia, talvez algum dia, eu consiga fazer algo realmente bonito e bem trabalhado.

Ah, durante esse tempinho fora me empenhei em escrever algumas coisas. Nunca gostei muito de escrever fanfics nem nada, na real, nem sei o que foi isso que escrevi. Tive a ideia enquanto assistia novamente uns episódios de The Following e me deparei com meu amorzinho Mark. Talvez o Tig (SOA) também deu um ar da graça no meio dessa loucura toda. Pode aparentar ser um texto normal e tudo - não to dizendo que não é, na verdade ele é bem clichê-, mas eu sempre acabo me inspirando em umas coisas bem fora da realidade, bom, da minha realidade pelo menos. Enfim, prometo terminar e postar logo.

Trechinho:
Lembro-me de quando a conheci, ela trabalhava em uma pequena lanchonete, a qual eu sempre frequentava pois era perto da faculdade onde ambos estudávamos. Mas isso eu só fui descobrir semanas depois de nos encontrarmos pela primeira vez. Geralmente eu me sentava na mesa mais próxima do balcão, apenas com a intenção de poder observá-la enquanto limpava a bancada ou fazia café para outros clientes. Nunca gostei muito de café, então sempre acabava pedindo algum chá com brownie de chocolate, e ela era muito boa no que fazia. Quem a vê hoje com seus cabelos ressecados e mal cuidados, nem imaginam o quão belos eles eram naquela época. Um ruivo acobreado que flutuava como uma chama de mesa em mesa, seus fios brilhavam ainda mais quando a luz do sol ultrapassava a cortina e refletiam no seu rabo de cavalo bem amarrado. Alguns fios caíam sobre sua testa e eu sentia a imensa vontade de afastá-los só para poder apreciar a imensidão negra de seus olhos. E que olhos, malditos olhos. Sentia minha respiração falhar sempre que seu olhar caía sobre mim, mesmo que acidentalmente. Numa dessas, tomei-me de coragem e a convidei para dar uma volta no campus depois de seu expediente, ainda posso me lembrar do seu sorriso confuso quando recebeu a proposta e essa foi a primeira vez que pude ouvir sua voz, essa que ecoava um "sim" baixo e tímido. Meu coração voltou a bater, e acelerava cada vez que o ponteiro se aproximava das 17 horas.

Enfim, essa é uma postagem apenas para me desculpar rapidinho e avisar que vou voltar ao ritmo normal de postagens. Desculpem novamente pela sumida rápida, prometo que não(vai) acontecer novamente. Até mais ♥

P.s: Saudadezinha da Ana e da Isa. ♥♥♥♥ 

Análise: Violência gratuita (2007)

Violência Gratuita (2007)
Uma família em férias recebe a inesperada visita de dois jovens profundamente perturbados em sua casa de campo, aparentemente calma e tranquila. A partir de então suas férias de sonhos se transformam em pesadelo. ctd
Esse filme já estava na minha lista há muito tempo, lembro que me interessei em assistir quando soube que um dos personagens principais tinha um ar de Alex Delarge na atuação. Ao ler algumas análises sobre, descobri que o próprio diretor é um grande amante de Laranja Mecânica. Mais um motivo fantástico para admirá-lo. Existem duas versões, a original de 1997 e o remake produzido em 2007, os dois foram dirigidos pelo Haneke. Decidi assistir a versão mais nova, já que segundo alguns comentários, as duas versões são idênticas no roteiro, apenas os atores e as locações que foram atualizadas.


Ousaria em descrever esse filme em apenas uma palavra: angustiante. Haneke utilizou de diversos recursos para causar a estranheza e o desconforto no telespectador, como o ambiente pesado, a falta de trilha sonora e as cenas carregadas. Logo no incio temos um contraste de música clássica e heavy metal, uma preparação para as longas 2 horas a seguir. Algumas cenas chocantes, como a perseguição de um personagem, são extremamente longas e sem corte. A falta de uma trilha sonora causa um desconforto imenso, o que é logo cortado pelo heavy metal jogado no meio da cena. Os personagens principais, além da família, são o Paul e Peter. Para ser sincera, o Peter me lembrou o Tosko de Laranja Mecânica, ele é do tipo atrapalhado e medroso, completamente diferente do Paul, inspirado em Alex Delarge.

O título em português, violência gratuita, se dá pelo fato dos dois garotos não terem motivos aparente para cometer tal atrocidade com a família. Em uma cena, eles ironizam esse fato quando perguntados sobre o motivo de estarem ali. Já o título original, Funny Games, tem dois sentidos para mim. O primeiro: Paul tem a mania de relacionar sua violência como alguns jogos "divertidos" com a família. O segundo: com toda certeza, criar esse filme foi algo divertido para Haneke. Enquanto me via naquela situação angustiante, torcendo pela família já perdida, imaginava o diretor sentado em uma cadeira de couro, rindo de toda aquela situação com um charuto entre os dedos. Parece que tudo aquilo foi criado para nos atingir de alguma forma, para que aquele desconforto dure mais que apenas as duas horas.


Aliás, o irônico tema do filme é a violência. Todas as cenas de violência ficam subjetivas a nós, não presenciamos nenhum dos atos cometidos pelos dois garotos. Creio que o objetivo da obra em si, seja mostrar a banalização desses atos. Nós somos dependentes da violência, mesmo que seja difícil aceitar, ficamos angustiados ao assistir alguma cena gore, ainda mais quando essas cenas não são jogadas na nossa cara. As cenas em que algo realmente acontece, é possível ouvir apenas os gritos e o som, enquanto um dos personagens prepara um sanduíche na cozinha. Novamente, todos os recursos utilizados, tanto a fotografia, o roteiro, as cores e a própria direção em geral, foram especialmente preparados para causar a estranheza e o desconforto.  O clima pesado invade sua mente conforme os segundos avançam, e tudo que você deseja é que aquilo acabe de uma vez.
Falando em ironizar fatos que insistimos negar, não é estranho que as pessoas torçam pelos vilões. Personagens amados na tela, geralmente são responsáveis por situações das quais ferem outras pessoas. Bom, temos eu como exemplo; perdidamente apaixonada por um personagem aparentemente sociopata que bate em mendigos na madrugada, e a minha estranha admiração por outro personagem, que apesar de ser extremamente elegante e dono de uma geniosidade invejável, usa dessas virtudes para o mal. Então, utilizando desse fato, Haneke faz com que em diversos momentos você se sinta confuso, não sabendo ao certo em quem confiar ou em quem torcer.

Creio que arte deva nos passar alguma mensagem, provocar novas sensações mesmo que essas não sejam algo prazeroso. Violência Gratuita atingiu seu objetivo da forma mais bela que eu poderia ter visto, Haneke produziu um ótimo trabalho e pode concluir sua obra perfeitamente, dando um final realístico para toda aquela onda de violência.


Bom, desculpem-me pela análise meio porca e escrita as pressas. Infelizmente ando numa onda de bloqueio e não consigo produzir nada que preste. Não tive tempo para revisar, então caso tenha algum erro na postagem, imploro para que me avisem o quanto antes. Obrigada pelos comentários do post anterior, fico muito feliz com todo o apoio que venho recebendo de vocês.

30 letters: A pessoa que você mais sente falta


Oi, M.,
Eu vou entender caso você negue essa carta. Entenderei caso você a rasgue apenas por ler meu nome no verso. Entenderei também se sentir vontade de queimá-la, e caso seja isso, apoiarei sua decisão. Só peço que se ainda exista, mesmo que apenas um pouco, de afeição por mim, leia até o final.
Considero desculpas como algo vago, nunca acreditei nelas e você me mostrou (muitas vezes) que também não. Já apresentei elas diversas vezes a você, em várias situações das quais nem eu mesma teria me perdoado. Então, não ousarei em usá-las novamente, apenas quero que entenda o quão envergonhada estou pelos meus atos. Eu tive a chance de mudar durante esses anos, prometi descaradamente que eu melhoraria e pararia de machucar você. Prometi me redimir por todos meus erros e isso nunca se concretizou, talvez pelo meu egoísmo surreal ou simplesmente por você sempre passar a mão na minha cabeça, o que fez com que eu me acomodasse no seu colo e o desprezasse sempre que quisesse, pois sabia que eu sempre poderia voltar para os seus braços. Não me orgulho, eu reconheço todas as coisas horríveis que fiz enquanto nós estávamos juntas.
Eu sinto sua falta, todos os malditos dias da minha vida. Eu sinto falta de estar perto de você, sinto falta das nossas brincadeiras, falta de ouvir sua voz me xingando na live, falta do seu choro, falta do seu consolo e de simplesmente tudo que vem de você, meus lábios sussurram incansavelmente seu nome enquanto meu peito se afoga em saudades.
Decidi escrever um pouco tarde demais, admito. Você agora deve estar com aquela garota de que você me falou uma vez, uma que é tudo aquilo que eu deveria ter sido. Isso não dói mais como antes, fico extremamente feliz sabendo que finalmente você se livrou daquela depressão da qual eu causei. Finalmente jogou os remédios no lixo, ao invés de ingerir todos de uma vez. E agora pode ter amigos, sem se culpar e se machucar todas as vezes em que se sentia suja por conversar com alguém. Fico feliz por estar finalmente distante de todo o mal que te cercava, e que algum dia, tudo o que resta de mim em você desaparecerá completamente.

De sua antiga e péssima memória, Isabela.

24 de Agosto, 2016.


31 perguntas para quebrar um silêncio constrangedor

Queria agradecer a todos que comentaram no meu post anterior. Muito obrigada mesmo por todo carinho que venho recebendo, e principalmente pela preocupação que tiveram comigo em relação ao relato do meu sonho. Está tudo bem, eu tenho o costume de sonhar com coisas estranhas e na maioria das vezes elas são assustadoras, mas eu venho tentando transmitir o que sinto por meio da escrita, é como se eu descarregasse todo o peso que elas causam. O lado bom é que esses sonhos bizarros me incentivam a escrever, tenho diversas histórias em mente graça a eles. Novamente, muito obrigada por todo carinho de vocês.

Hoje eu estou um pouco mais feliz, recebi a correção da minha última redação e consegui tirar 900 pontos! Além disso, meu professor disse que a minha e as de mais duas amigas foram as melhores da sala. Apesar de ter perdido alguns pontos pelo meu parágrafo ter ficado mais extenso que o normal, é muito bom saber que sou capaz de tirar uma boa nota (pelo menos nessa área, já que em exatas e biológicas eu sou uma negação).

Texto: 02:20

Ando tendo constantes pesadelos de um lugar estranhamente familiar. Acordo de hora em hora suando frio e minhas mãos tremem, a estranha sensação de ter algo sob mim me apavora. É um sonho contínuo, não importa quantas vezes eu insista em acordar na tentativa de fugir, eu sempre me vejo novamente no mesmo lugar. Sequer consigo olhar-me no espelho durante a manhã, e desde então, a ideia de permanecer sozinha me desespera. Me sinto cada vez mais dependente das pessoas, como se alguém me deixasse sozinha por apenas um minuto que fosse, o mundo desabasse ao meu redor e o chão me engolisse e me transportasse para a imensidão negra.

Fragilizada e perdida, meus pés caminhavam incertos pela escuridão que me cercava, me escoro em superfícies sólidas, muitas vezes tão quentes que sinto bolhas se formando por toda extensão dos meus dedos. Eu grito mas é impossível soltar-me, por mais que doesse, meu corpo relutava em abandonar a única coisa que não me deixava imergir na escuridão e tornar-me parte dela. O breu negro me cega enquanto meus pés pisam em lugares incertos, cortantes, quentes e gosmentos. A sensação de já ter passado por esse lugar me invade, como se eu fizesse parte de tudo aquilo. Apagão.
Acordava novamente sentada em uma cadeira que rangia, em frente a diversos monitores antigos e sem som. Me via em uma sala de monitoramento antiga, iguais a que vemos em séries ou filmes, e em cada tela eu podia observar a vida de cada um que já esteve perto a mim. Eu podia vê-los sorrindo, brincando, conversando, fazendo qualquer merda que fosse sem mim. Silêncio. Vozes começavam a ecoar no fundo, vindo longe dos monitores. Eu tentava olhar sobre os ombros na intenção de descobrir de onde vinham, sem sucesso, meu corpo se entregava as luzes fracas que saíam das imagens projetadas nos monitores. As vozes se tornavam mais próximas, enquanto meu corpo relutava contra o transe momentâneo. Elas chegam mais próximas e se tornavam sussurros contra meus ouvidos, em cada lado, elas sussurravam coisas diferentes. Eles finalmente te esqueceram. Esqueceram. Você finalmente pode se juntar a mim. E ninguém se lembrara de quem você foi. Ninguém. Você se tornará parte da escuridão que te cerca, pelo resto da eternidade. Meu coração se desespera dentro do corpo adormecido, minha respiração falha e sinto que vou explodir. Imóvel, enquanto as vozes queimam meus tímpanos e se espalham pelo meu corpo, corroendo cada pedaço de vida que ainda restava nele. Sinto o sangue queimar em minhas veias. As imagens expostas nos monitores se viram contra mim, as pessoas sorriem enquanto meu corpo de desespera. Gargalhadas passam a ser audíveis, elas se mesclam ao sussurro. Imóvel, meu corpo se mantém na mesma posição enquanto minha alma se debate, em um grito de misericórdia escorre pelos meus olhos. Sinto algo áspero tocar minha nuca, um calafrio percorre por toda extensão do meu corpo, enquanto o membro gélido envolve meu pescoço. Apavorada. Gotas e mais gotas escorrem pelo meu rosto sem demonstrar qualquer reação. A mão desce até meu peito, ela sente meu coração pulsar desesperadamente sob minha pele. Dor infernal, ela crava as unhas em minha carne e a rasga. O sangue fervente escorre pelas suas mãos e posso vê-las se queimarem. Meu corpo dilacerado por suas mãos cai sobre o chão gosmento. Posso ver sua silhueta contra as luzes dos monitores, sua estatura baixa me aterroriza. Ela me olha ferozmente como se fosse me devorar a qualquer momento. Ela então se curva sobre meu corpo desfalecido e consciente ao chão, e meus olhos, até então acostumados com o breu que nos cerca, podem finalmente ver a criatura debruçada em mim. Em um último suspiro de dor, posso ver estampada em sua face aterrorizadora, um reflexo nítido de claro de mim mesma.
Se eu acreditasse em inferno, esse seria o meu.

E eu estou a minha espera.

Então, eu assisti Suicide Squad


Hoje eu combinei de ir ao cinema com alguns amigos assistir a estréia de Esquadrão Suicida, e apesar de admitir ser muito mais fangirl da Marvel (sou suspeita nas críticas, sim), eu até que tinha bastante expectativa com esse novo filme. Depois da derrota que foi Batman vs Superman, eu achei que a Warner tinha reconsiderado alguns pontos do filme, e ela realmente fez isso, mas de uma forma meio errada. Não sou crítica de cinema nem nada, muito menos me arrisco a dar nota nos filmes, mas como esse é um blog pessoal, quero registrar minha opinião.

Espero que todos vocês tenham uma noção do filme, não sou boa com sinopses. Enfim, o filme gira em torno de acontecimentos logo depois da morte do Superman em BvS (foi mal pelo spoiler) e o sumiço do Batman. Com a falta de um protetor da cidade, um membro do governo chamada Amanda Waller, decide reunir os piores vilões para resolver uma grande ameaça.

O Apanhador no Campo de Centeio

Queria começar me desculpando, porque para ser sincera com todos vocês, nem sei exatamente que palavras usar para demonstrar fielmente a complexividade e geniosidade que é esse livro. Ao pegá-lo na prateleira da biblioteca, sequer cheguei a imaginar que ele se tornaria tão importante para mim. Então, eu espero que entendam a minha forma simples de tentar transmitir meus pensamentos e interpretações sobre O Apanhador no Campo de Centeio.


 ◇ ◈ ◇ ◈

Antes de tudo, o contexto histórico desse livro é muito importante para a compreensão da obra. Foi escrito e publicado durante os anos de 1940 e 1950. Ele se tornou uma das obras mais importantes da literatura americana, principalmente por se passar na década de 50 e tratar de assuntos que na época, eram ainda polêmicos. Salinger foi, se não, um dos primeiros a tratar a adolescência como tema principal, o que chamou a atenção das pessoas na época. O livro foi mais do que um sucesso, porque além de tratar assuntos extremamente importantes e complexos como sexo, homossexualidade e rebeldia, ele faz o leitor se apaixonar pela narrativa e principalmente (ou não) pelo narrador.

O narrador em questão é Holden Caulfield, um adolescente de 16 anos que narra alguns acontecimentos após ser expulso do seu colégio. Apesar da narrativa se passar em apenas dois dias após a saída de Holden, há milhares de assuntos importantes retratados durante esse percurso. 
Holden é um dos personagens mais complexos que pude conhecer, seus pensamentos são todos confusos, e imagino eu, que nem mesmo ele possa entendê-los. Ele odeia praticamente tudo e todos, para ele todos os adultos são cretinos e hipócritas, todas as pessoas que vivem ao seu redor são cretinas, os trabalhos são cretinos e tudo que se passa à sua volta é a mais pura hipocrisia. Ele repete a palavra "cretina" zilhões de vezes durante o livro para descrever qualquer coisa que não o agrade. Ele é uma pessoa desajustada em vários grupos sociais, não se ajusta com os próprios pais nem com os colegas de quarto e principalmente com a sociedade, ele vê problemas em tudo, enxerga o pior lado de todos. 
A complexividade desse personagem é encantadora, você pode amá-lo ou odiá-lo, há várias versões diferentes do mesmo personagem. Apesar de odiar a tudo e todos, as únicas coisas que o agradam é sua irmã Phoebe de 10 anos e seu falecido irmão Allie, que morreu de leucemia. Holden enxerga a pureza nos dois e isso o encanta. O irmão é citado em diversas partes do livro pelo narrador, pois ele é a única coisa que o conforta diante ao caos que impregna sua mente. Inclusive, um dos lugares que mais o agrada é um museu da cidade, justamente pelo fato que independente de quantas vezes você for lá, seja com seus cinco anos de idade ou com os seus trinta, tudo vai continuar da mesma forma, intacto. Isso nos mostra o medo que cerca sua vida, o medo de crescer, o medo de enfrentar a sociedade cretina e falsa dos adultos. 


Você passa mais da metade do livro sem entender o significado do título, mas a partir do momento em que ele é citado, tudo que você leu até então faz sentido. Holden, quando perguntado pela irmã o que ele gostaria de ser no futuro, ele se recorda de uma citação errônea de um poema, onde ele acreditava ser "Se alguém agarra alguém atravessando o campo de centeio", ele responde que queria ser um apanhador no campo de centeio. Holden gostaria de ser o único adulto responsável por segurar as crianças que brincam no campo de centeio e caem descuidadas no abismo. Podemos interpretar então, que esse abismo que engole as crianças é justamente a vida adulta, Holden, gostaria de ser a pessoa responsável por manter a inocência e a pureza das crianças que ainda brincam no campo. Isso é genial, foi uma das metáforas que mais me encantou durante a leitura.

O livro é simples e não tem nenhum acontecimento relevante, é apenas um final de semana de um garoto problemático pelas ruas de Nova York. A importância é a forma que você enxerga as entre-linhas, a forma que você interpreta todos aqueles acontecimentos e como você os aplica na sua realidade. Isso é o que torna O Apanhador no Campo de Centeio um livro tão mágico. Espero mesmo que vocês se interessem por ele, e principalmente que eu tenha conseguido transmitir pelo menos um pouco do que pude sentir ao ler.



Últimas séries assistidas

Olá, como vocês estão? Essa é minha última semana de férias, então pode-se concluir que meu humor não está lá essas coisas. Apesar de não ter feito nada durante essas semanas livres, eu pude atualizar algumas séries e conhecer outras, isso já me deixa um pouquinho satisfeita. Mas mudando um pouco de assunto, eu queria perguntar se vocês se importariam de ler algumas histórias que eu escrevi, não são grande coisa e como podem notar, minha escrita não é das melhores, então é algo extremamente simples. Pergunto isso porque algumas delas são um pouco grande, coisas de uns 10 parágrafos.

Bom, indo direto ao assunto do post. Como eu disse anteriormente, eu pude assistir algumas séries novas durante essas férias, muitas eu acabei clicando aleatoriamente na Netflix e acabei gostando mais do que esperava.

Histórias Extraordinárias - Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe nasceu em Boston, EUA, em 19 de Janeiro de 1809. Filho de um casal de atores fracassados, onde a pobreza e miséria prevalecia. Se tornou órfão aos três anos, quando a mãe faleceu logo depois do sumiço do pai. Dizem que no velório da mãe, ele ficou horas observando seu rosto, e dizia que ela era muito mais bonita daquele jeito. Esse foi seu primeiro contato com a morte, foi onde reconheceu sua beleza, e esse conceito está presente na maioria de suas obras.
Ele foi adotado por um rico comerciante, o que lhe proporcionou uma boa educação. Frequentou a Universidade da Virgínia, estudou grego, latim, francês, espanhol e italiano. Edgar era viciado em jogos, isso o fez perder muito dinheiro e acabou largando a vida acadêmica, o que causou uma séria discussão com seu pai adotivo. Ele fugiu de casa e se alistou nas forças armadas, onde serviu durante alguns anos e foi dispensado por indisciplina. Neste mesmo período ele publicou seu primeiro livro policial. Edgar sempre foi mais apegado a mãe adotiva do que ao pai, mas assim como sua mãe biológica, ela faleceu.
Poe foi apaixonado por sua prima de primeiro grau, Virginia Clem, eles se casaram em segredo quando ela tinha apenas treze anos. Virginia sofreu com uma grave tuberculose, o que acabaria por levá-la a morte. Depois de sua morte, Edgar Allan Poe se entregou de uma vez a bebida e ao ópio, para ajudá-lo a enfrentar aquela dor. Inclusive, dizem que o poema Annabel Lee foi inspirado em Virginia. O poema conta a história de dois amantes se se apaixonaram ainda jovens, o que causou inveja aos anjos. O narrador acreditam que o serafim causou a morte de sua amada, mas suas almas ainda estão entrelaçadas. Muitos dizem que o tema frequente da "morte de uma linda mulher" em suas obras, se dá devido a perda de todas as mulheres que perdeu em sua vida.
Poe soube retratar a morte de uma forma bela e tocante, utilizando recursos melancólicos e ambientes fúnebres. A morte se tornou sua mais fiel amiga, e em seus contos, ela nos toca e adentra nossa mente. Utilizava técnicas para agarrar o leitor logo no primeiro paragrafo, sendo impossível desprender-se da leitura. A narrativa te introduz no ambiente, te causa angústia junto ao personagem, te faz submergir naquela história. Seus contos e poemas retratam além da morte, a perturbação da natureza humana, assim como mentes doentias e perturbadas, loucura extrema, personagens neuróticos e alucinações. Ele cria um ambiente macabro, que te carrega até o estopim final, te surpreendendo com o desfecho da trama.
Ironicamente, assim como seus contos, sua morte ainda é um grande mistério. Seu corpo quase morto foi achado em Baltimore, num estado deplorável, vestindo roupas de outra pessoa. Apesar de ter sido levado até ao hospital, não resistiu. A causa de sua morte é desconhecida até hoje, porém, segundo relatos, suas últimas palavras foram "Está tudo acabado. Escrevam: Eddy já não existe."

Filmes que assisti recentemente

E aí, Como vocês estão? Se meu estado atual pudesse ser representado de alguma forma física, eu poderia fazer parte do elenco de Game of Thrones com um dos White Walkers sem problema algum. Mas é aquele ditado né, hoje eu to só o kiko picado pelo escorpião x. Dormi apenas 4 horas essa manhã, pois maratonei a primeira temporada de How to get away with murder, e posso dizer que esse sono perdido valeu muito a pena. Não sei porque enrolei tanto pra assistir essa série. Agora só me resta esperar alguns anos até a netflix atualizar a segunda temporada, sobrevivo até lá. 


Eu não tinha muita noção do que postar aqui no blog, não queria apenas enchê-lo com meus textos e bobagens sentimentais, então decidi compartilhar uma das minhas maiores paixões que são assistir filmes. Primeiramente, pensei em postar meus filmes favoritos, mas são tantos que eu nem mesmo consegui fazer um top 5 sem alguma incerteza. Depois, pensei em falar de séries ou trilogias, mas ia ficar algo muito longo e cansativo de ler. Por fim, decidi colocar apenas os filmes mais recentes dos que mais gostei ou que foram importantes de alguma forma. 

30 letters: Seu (futuro) namorado

Olá,

Talvez nós ainda não nos conhecemos, talvez eu seja uma de tuas amigas ou talvez nós trocamos olhares na rua ou no ônibus. Eu decidi escrever essa carta para que quando nós chegarmos ao nível de intimidade necessária para que eu divida com você meus textos e rabiscos, eu possa entregá-la para você.
Um dia eu não vou mais te ver com os mesmos olhos, talvez isso seja algo repentino, o tal do amor a primeira vista, mas imagino que seremos amigos e eu começarei a criar um pequeno interesse em você. Eu começarei a te encarar possessivamente, espero que não se assuste. Eu irei reparar em seus lábios sempre que conversarmos. Eu irei te abraçar por mais tempo apenas para que seu perfume impregne minha roupa e eu possa sentir seu cheiro o dia inteiro. Eu ficarei manhosa e pedirei atenção. Você pode estranhar no começo, mas você saberá que tudo isso é porque eu estarei completamente apaixonada por você. Não terá volta.
Eu prometo dividir com você meus doces, mesmo que eu faça uma cara feia quando pedir. Prometo assistir o máximo de filmes ao seu lado. Prometo dividir minhas teorias e minhas piadas cinéfilas. Prometo não assistir nenhum episódio sem a tua companhia. Mas não prometo ficar acordada, pois quando menos esperar, eu estarei babando em seu ombro. Prometo ficar te encarando de manhã logo depois de acordar. Prometo beijar seus lábios enquanto dorme. Prometo me orgulhar de ti. Prometo estar ao seu lado quando fracassar. Prometo te apoiar em qualquer escolha que fizer. Prometo acariciar seus cabelos quando deitar em meu colo. Prometo implorar carinho sempre que estiver chateada. Prometo desenhar seu rosto em qualquer pedaço de papel, apenas para não te esquecer. Prometo que caso esteja longe, usarei todas moedas do meu cofrinho para te ver. Prometo usá-las também para fugirmos juntos, viajaremos para algum lugar longe e dividiremos momentos inesquecíveis. Prometo rir de qualquer piada, mesmo que ela seja ruim. Prometo amar todos teus defeitos, por mais estranhos que sejam. Prometo não brigar por ciúmes, e caso isso aconteça, prometo não chorar. Prometo pedir desculpas mesmo sem ter feito nada. Prometo assumir meus erros. Prometo te beijar depois de cada briga. Prometo não fazer bico de choro. Prometo te fazer feliz. Prometo ser feliz ao seu lado. E acima de tudo, prometo amar-te, completamente e verdadeiramente.
Desde já, obrigada.
De sua futura Isabela.


Post feito a partir do desafio 30 letters. Leia mais aqui. Eu já conhecia esse projeto, porem nunca tive coragem suficiente para tornar minhas cartas públicas. O intuito do desafio é que você poste 30 cartas durante 30 dias, mas eu não vou seguir a regra. Talvez porque eu seja rebelde? Sim mentira, mas é que eu não tenho muito tempo pra postar. Eu também decidi começar aleatoriamente, pelos tópicos que me atraem mais para escrever.