Peguei você


Sentia seus pés descalços arrastando pelo asfalto frio ficarem em carne viva, manchando todo seu caminho de sangue. As lágrimas que escorriam pela sua tez alva, queimavam sua pele, sentia a dor de cada lágrima que percorria o caminho dos olhos até seu queixo, caindo sobre o asfalto, se misturando com seu sangue. Seu coração pequeno e fraco bombeava seu sangue quente com toda força que tinha, ameaçando de paralisar a qualquer momento. O garoto sabia que não podia parar de correr, nunca, não até achar algum seguro onde pudesse se esconder, e sair de lá apenas pela manhã quando o sol livrasse aquele lugar de qualquer impureza.
Parou por alguns segundos, até ouvir os passos pesados novamente em sua direção. Levou a mão pálida até seu peito, apertando o tecido de sua camiseta com força entre os dedos. Sua respiração falhava, seu peito queimava, o gosto férreo do sangue já impregnava sua garganta. Sua visão tornou-se completamente escura, suas pernas falharam e seu corpo mole foi direto ao chão, rasgando a tez de sua testa, manchando seu rosto infantil de vermelho. Os passos ficavam cada vez mais perto, acompanhados da risada rouca e grosseira de seu dono. O garoto temia ao som de cada folha seca sendo pisada em sua direção, rezando para algum deus, esse que nunca existiu para si, até esse momento.
Os dedos alheios foram direto ao seu colarinho, puxando seu corpo mole com brutalidade, obrigando-o a olhar para seus olhos.   Peguei você.  A voz saiu num tom arrastado, provocando calafrios por todo seu corpo pequeno. Virou o rosto para o lado, evitando qualquer tipo de contato visual com o garoto a sua frente. Ele sentia o medo, sentia o medo percorrer por toda suas artérias, paralisando todos seus membros, deixando-o petrificado.
Seus fios de tom vermelho cobre foram puxados com força pelo garoto, certamente perderá alguns tufos de cabelo. As digitais gélidas tocaram seu rosto quente, intensificando ainda mais seu medo pelo que estava próximo de acontecer. Seu queixo foi agarrado com força, fazendo com que seus olhares se encontrassem novamente.  Por que foge de mim?  E um sorriso surgiu sobre os lábios finos, aquele sorriso que lhe provocava tanto temor. Sua garganta ardia, e nenhuma palavra -ou grito- conseguia fugir daquele corpo amedrontado. Agonizava internamente com seus gritos mudos, que transbordavam pelas suas bochechas cheias em forma de lágrimas.  O que eu faço com você...?  As palavras foram cuspidas sobre sua face amedrontada, e seu pescoço foi agarrado pelas mãos alheias. Sentiu o ar fugir de si cada vez mais. Sua visão foi ficando turva, lutava a cada segundo pela sua vida miserável, mas que não arriscaria perde-la por algo tão perturbador como aquele ser a sua frente. E em questão de segundos, tudo escureceu.


Texto referente ao desafio 364 coisas sobre as quais escrever 
(nº 249) Sendo perseguido(a) por um assassino.

Só queria colocar uma observação, não é de grande importância, mas criei um curious cat. O link é esse (x), e vou deixar na sidebar também, caso alguém deseje perguntar algo.

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